sábado, 27 de outubro de 2018

A Candidatura Jair Bolsonaro e a manipulação dos afetos




Pensando no fenômeno da candidatura da extrema-direita Jair Bolsonaro e sua rápida adesão das massas brasileiras ,estava refletindo sobre características  que poderiam explicá-lo.
Basicamente,  o seu discurso apela mais  a emoção e a profundos instintos do seu eleitorado. Além disso, podemos afirmar que as manifestações de junho de 2013 abriram uma “ janela de insatisfação” contra as condições de vida nos grandes centros urbanos que não foi resolvida.Paralelamente a isso  , acontecia a completa desmoralização dos “políticos profissionais” por meio da operação Lava –Jato.


Bolsonaro e seu discurso manipulam três afetos poderosos e quase instintivos para não dizer ao eleitorado o seu verdadeiro plano político e econômico neoliberal radical. E aí reside o fato de seu enorme sucesso: convencer a população por meio de símbolos articulados, que pouca ou nenhuma relação  prática tem com o ideário neoliberal radical, mas ao mesmo tempo é vital para as massas aderirem a ele.Sem esses símbolos, a população não teria aderido a condução dessa ópera bufa. É necessário alguém para manipular o senso-comum midiatizado. E isso Bolsonaro faz com maestria.

Dessa forma, explica-se a recusa aos debates. Além de demonstrar sua fraqueza intelectual e seu despreparo evidente, um debate implica em transformar em linguagem verbal , os símbolos que Bolsonaro usa em seu discurso em linguagem política, em narrativas, em propostas e em plano de Governo. Não é essa a questão aqui.

Quais são os símbolos que manipulam os afetos? O primeiro é “ Deus” e tudo que significa uma segurança, uma proteção, um porto seguro em mundo tão cheio de mudanças e transformações: um quase retorno do Messias sagrado para ocupar o seu espaço no poder e sua missão. O Segundo é arma. A arma que virou um sinal de sua candidatura através da mímica de suas mãos é a posse da masculinidade, da virilidade para a geração impotente e frustada  na sua comezinha vida cotidiana. A Arma ,não é só um substituto do falo, mas a posse de si , contra aqueles que me ameaçam.  Os outros podem ser os mais variados: esquerdistas, meu patrão, feministas chatas, gente do “ politicamente correto”. Somos “nós” contra “eles”.O frustado precisa de um inimigo, real ou imaginário.Sua frustração completa-se na presença de seu inimigo  e objeto de sua frustração.
O Terceiro símbolo é a “ criança inocente”. A Criança é um poderoso símbolo inconsciente. Para uma geração amedrontrada com a violência ,estupros e violações de Direitos básicos,o discurso  da  preservação das “ crianças” tem duplo aspecto.Primeiramente, assegurar a continuidade do elo vital da vida e em segundo, manipular o recalque sexual do adulto, em relação a imagem des-sexualizada  das crianças. E aqui novamente temos a criação de um inimigo a espreita? Quem são eles ?Professores, escolas, livros do MEC  e o PT. No limite, toda a esquerda.

Assim nesse discurso simbólico e concatenado a Esquerda invade o recanto mais sagrado da vida humana. O tabu do sexo e da Religião. A Religião que é o único conforto em um mundo sem confortos, se vê aviltada em um país que “ supostamente” quer solapar os fundamentos e construir uma “ sociedade sem Deus”. Para esses, o “ pai” Jair Bolsonaro,  representa  o pai presente ,a ordem e a segurança  (em mundo inseguro ) e psicanaliticamente o Pai Divino. Ou , ao menos, o enviado desse Pai.


Com os símbolos discursivos, manipula-se( e fundamentalmente esconde-se) o que ,eventualmente, um Governo Jair Bolsonaro fará de fato como governo:Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista e Privatização das Estatais. Como a população rechaça uma “ lei trabalhista que beire a Informalidade” ,como ele mesmo disse,sua candidatura  foge (ou não precisa?)do espaço público, para manipular as frustrações individuais e coletivas , através de redes sociais e “fakes news”.O medo, o sexo e o fundamento divino da vida são os sentimentos e afetos evocados.

Por isso ,não adianta a esquerda e o próprio centro pedir “debate”. Debate é comparecer na arena pública e não é essa  a arena na qual se manipulam símbolos e afetos tão poderosos e de maneira tão sórdida. O Debate,como quer o filósofo Habermas,pressupõe  a razão comunicativa. E essa está, nesse momento, em outro pólo político.O  esclarecimento é difícil em tempos de linguagem memética, já que somos uma população tão estimulada por cores, noticias, símbolos, narrativas e sob a escravidão do celular que não consegue pensar e refletir, se não através de imagens e frases soltas. Considere-se o leitor um guerreiro se chegou até aqui.
Um Guerreiro solitário que vê o debate político chafurdar no abismo em nome do neoliberalismo mais brutal em nome de Deus e da frustração de todos com a política e os políticos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Mr. Robott: entre o Capitalismo e a Esquizofrenia(e sem Spoilers)

Que a série Mr. Robbot é surpreendente disto sabemos. De um lado, conseguiu o grande feito (que talvez só tenha conseguido uma outra obra de escol, como Tempos Modernos) de ser crítica de capitalismo sem ser propaganda-mal elaborada ou um panfleto de uma proposta política vulgar.De outro lado é  um drama pessoal de um jovem programador (Elliot)e Hacker nas horas vagas que planeja a sua “ revolução alternativa” contra o Sistema de Corporações Capitalistas no EUA.   Entre a crítica social( ou seria a perfeição de desnudar do real) e o seu ponto de chegado, uma rede de conspirações e associações corruptas e sujas, o drama pessoal do “fazer a vida” de cada um nos EUA(o imigrante, o jovem branco de classe média baixa, os aspirantes a Gerentes e Diretores de grandes empresas) com o toque correto de violência e sexo banalizados pela lógica do sistema.E no meio disso tudo há Elliot , um jovem “esquizofrênico”.




            Talvez o ponto mais alto da crítica esteja no desnudar a realidade e não simplesmente dar sentido a ela. Mostrar a realidade de um mundo que embora estejamos nele, não percebemos. Não percebemos  os outsiders do sistema(pobres, imigrantes e excluídos) ,porque todos estão submersos na luta diária pela sobrevivência e todos (ou quase todos) estão aspirando ao seu cargo de Gerente ou Diretor.(CTO na série).Mas, a fotografia da série(tão bem aclamada pela crítica) capta esses instantes da realidade não- vista. E ,portanto, desnuda a paisagem de Wall Street com seus manifestantes e os grandes arranca-céus com seus mendigos expostos à olhos nus. Demonstra a Midia Americana,porque afinal ela mesma não passa de outra face do poder, como a polícia e o FBI , conforme se desenrola a trama e o espectador percebe que nada escapa aos olhos das grandes corporações capitalistas.Vemos a trama pelos olhos de Elliot que é o personagem principal e o narrador que compara a vida com a linguagem da programação da Informática .Nesse estágio avançado do capital, todos os estágios da vida humana estão submetidos a sua linguagem de dominação-libertação: a tecnológica. Esse paradoxo também é exposto de maneira magistral na Série? Podemos revolucionar o mundo através do Facebook? Marx dizia que a Tecnologia poderia libertar o homem do fardo do trabalho. Se não o Facebook(que é também  uma grande corporação) os Harckers podem fazer o seu Cyberativismo e derrubar o sistema.Até onde vai os limites de nosso personagem?



            Até o Sexo e a Violência que  quase sempre apelam para a provocação sensacionalista que as séries da atualidade exploram, em Mr. Robbot  são contextualizados dentro das relações sociais. O que a Violência nesse sistema desconfigurado¿ Algo banal e que serve ao poder. É o que o Sexo¿ Ferramenta para o Poder. Quero chamar atenção aqui para a exposição da Tara Sexual da esposa de um CTO na série. Sua Tara: o sadomasoquismo .Nada demais até aqui, Aliás, tara do casal. Os dois usam de seus desejos com seus subordinados na escala social.(Tyrell E ae cabe a leitura da critica da moral – burguesa . A moral da alta burguesia é hipócrita, como o é, em larga escala, a mídia, o aparelho de Estado, as religiões oficiais. Mas como se mostra sua hipocrisia¿ Pela desnudar do seu Fetiche. Se em Freud, o Fetiche é um símbolo que oculta o verdadeiro objeto de desejo, a classe social burguesa também oculta o seu verdadeiro desejo, tanto de si mesma, como das outras classes sociais que são objeto de seu sadismo. E os atores se esmeram em mostrar o sadismo da burguesia da cama ao cargo de Gerente de uma Corporação Capitalista, porque o abuso sexual em cargos de Gerência é também a expressão de uma dominação de uma classe social sobre a outra. Aqui fica uma fina contraposição, em relação a Arte Contemporânea, que só “fala” sobre o Sexo dentro do discurso dominante.





            Outras Questões somam-se ao enredo de nosso Herói comum. Fica difícil conceituar o jovem Elliot. Ele não é o herói, porque pouco nele há que  podemos desejar.Nem as suas fugas temporárias e delírios, o seu uso constante de Heroína e sua anti-sociabilidade o tornam atrativo. Mas também ele não é o Anti –Herói. Há momentos que torcemos para que os Hackers e a FSociety exponha todas as mazelas do sistema. Afinal de contas, não sabemos nada sobre as vultosas somas de dinheiro que as Corporações e os Governos controlam, enquanto todos nós vivemos uma vida de Empréstimos. Sim, o cidadão americano vive uma vida de Empréstimos: vida parcelada, fragmentada, dividida. Talvez nosso personagem principal esconda na sua doença mental, a esquizofrenia, uma tentativa de reunião dos aspectos fragmentários de si mesmo. Sem a “prestação diária” que fazem os que bebem as sextas-feiras no Happy Hour.
            Na sua “esquizofrenia” ( e raros são os filmes e séries que conseguem tocar em temas tão delicados como esse), nosso personagem principal desafia o sistema. Os diálogos mostram  ,como  no clássico “O Ensaio sobre a Cegueira” de Saramago, que só há um personagem lúcido, que vê. Elliot é um jovem sem beleza, sem carisma, com uma doença mental, mas que é lúcido. E a sua esquizofrenia é tentativa de reconstruir sua trajetória de vida, sua infância, o seu relacionamento com a sua irmã(Darlene), seus poucos amigos e reconstruir(ou destruir) o sistema que lhe oprimi. Como fala Michel Foucault “ não é a psiquiatria que detém a verdade sobre a loucura, é a loucura que contém a verdade sobre a psiquiatria”. Não é  a Igreja e nem a Psiquiatra que Elliot freqüenta que tem a verdade sobre o  cisão do Homem, é a cisão do Homem que é  A VERDADE sobre a lógica atual.Aliás, os diálogos entre ele (Elliot)e sua psiquiatra são um brinde à parte.Reconstruir o sistema  mostrando as redes de corrupção e segredos da elite mundial, das corporações, do jogo sujo da Mídia através de uma tela de computador. Outros pontos adicionam-se a História como o problema dos Refugiados, a vida fria das grandes cidades e o Jogo de Controle Geopolítico entre EUA e China.


   

            Mr. Robot não é para os marinheiros de primeira viagem na existência,há uma complexidade notável na 1 e 3 Temporadas, dentro de um enredo bem construído, com atuações marcantes e diálogos reveladores.E o telespectador fica intimado  a fazer o seu papel.Na Linguagem da Informática , existe só dois códigos o 1 e o 0. Eu diria que o telespectador deve escolher um deles para representar o seu papel da contemporaneidade, embora o seu perfil político possa ser hackeado em cinco minutos no perfil nas Redes Sociais e essa pergunta possa ser respondida por um Robô analisando seus posts.Entre o 0 e 1 também não há um número inteiro, como também não há uma solução para a Revolução de Elliot, como também não há uma solução para o mundo Globalizado de Hoje, que não tem nem Heróis e nem Anti-Herois dispostos a construir os Mitos.


domingo, 6 de maio de 2012

A "Doença" do ponto de vista Cósmico

Esse é um diálogo sobre Cura.Um é o aprendiz (Barbara)e outro o Mestre-Professor(Heyoan).Irão dissertar sobre o que é um "olhar" sobre as "coisas" do ponto de vista duma percepção mais elevada,mais sensível,mais cósmica.



Heyoan:" Onde prefere colocar a sua percepção? Você também  decide sobre a resolução. Prefere olhar para um microorganismo ou para um  macroorganismo? O Deus manifesto decide manifestar-se apenas por intermédio da percepção, isto é, escolhe a parte da face da escuridão em que se manifestará através de percepções. Existem seres entre vocês que não podem vê-la e que você também não pode ver. Eles optaram por viver numa janela diferente da percepção. Está me compreendendo, minha querida?

Bárbara: "Não, estou ficando cansada. Esse discurso é demasiado linear.
Heyoan: "Isso porque estamos de novo espremendo a informação na sua   estreita percepção. Permita que a sua percepção se expanda enquanto a conduzimos  para outro reino de luz. Ao entrar nesta sala, veja a claridade, sinta a alegria .Daqui fui levada para o que me parecem ser reinos cada vez mais altos.
Cada reino era mais esplêndido que o anterior. Cada qual mais difícil de perceber. Cada um deles se tornava, aparentemente, mais fino e menos formal. Meu guia Heyoan conduzia-me.
Chegamos ao ponto mais alto que me foi dado perceber, e Heyoan me disse:
"Estamos diante da porta do Santo dos Santos, onde todo humano anela por entrar."Pude ver minhas existências passadas pairando debaixo de mim, como o aroma do jasmim que perpassa no ar noturno. À medida que cada uma delas passava, eu me sentia puxada a fim de olhar de volta para a realidade. E cada puxão que eu sentia me dava uma impressão de queda. Tentei resistir com um sentido de ser, além de Bárbara, além do tempo, além das existências.Tentei estender a mão para a porta do Santo dos Santos.

Heyoan: "Não se trata de tentar alcançar a porta; trata-se de permitir a si mesmo estar onde já está. Há aqui um espaço tremendo. Um estado de ser além do tempo e do espaço. Não é preciso ter pressa.É necessário ver o que a alma está pedindo."

Vi-me, então, transpondo uma porta entre as duas patas da Grande Esfinge.
Diante de mim, Heyoan sentara-se num trono.

Heyoan: "Portanto, minha querida, quando você fala de cura, saiba que curar é abrir as portas da percepção de modo que se possa penetrar no Santo dos Santos e identificar-se com o Criador. Não é nada  mais e nada menos do que isso.


Um processo, passo a passo, nessa direção. A iluminação é a meta; a cura é um subproduto. Dai que, toda vez que uma alma a procurar para ser curada, conheça, no  âmago do seu ser, que é isso que a alma está pedindo.
"Lembre-se de que, toda vez que alguém a procurar em busca de ajuda ou de cura, as palavras desse alguém passam pela porta da percepção que ele tem.Tanto pode ser uma porta estreita quanto uma porta larga. Um dedo do pé machucado, uma doença que ameaça a vida, ou uma busca da Verdade, o que quer que seja pedido passa pela porta da percepção, mas só lhe precisa ser dada uma coisa: a resposta aos anseios da alma. A alma está dizendo: "Ajude-me a encontrar o caminho de casa. Ajude-me a encontrar o caminho que leva ao Santo dos Santos, à paz dos séculos, ao Vento que Sussurra a Verdade através dos Séculos."
A essa altura da meditação, estremeci e chorei de alegria. Heyoan me contara muitas vezes que o significado do nome Heyoan é o "Vento que Sussurra aVerdade através dos Séculos". Então compreendi. Através da meditação, Heyoan me conduzira à compreensão de que eu e Heyoan somos o mesmo. Compreendi, em  cada célula do corpo, que sou a Verdade que Sussurra através dos Séculos.
Heyoan continuou: "E assim aqui estou sentado, Heyoan, coroa de jóias, cada uma das quais é uma verdade, uma verdade conhecida. Assim, aqui existo, sempre existi e sempre existirei; além do espaço e do tempo, além da confusão; manifesto e, todavia, não; conhecido, mas não conhecido. E, assim, sente-se aqui também, cada um de vocês, que almeja conhecê-lo, desde o lugar em que se encontra dentro da sua percepção limitada."



Barbara Brennan,Mestre em Física e cientista da Nasa e curadora psíquica no Eua e Europa.Fundou a “Escola de Cura Barbara Brennan” na qual formava terapeutas espirituais.No Brasil temos dois livros dela publicados,o conhecidíssimo “Mãos de Luz “e Luz Emergente.Esse é o Capítulo do Livro que narra a conversa dela com seu Guia e amparador extrafísico pela sensitividade.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Memórias de um Viajante no Tempo e no Coração no Cosmos








Contemplando a Ampulheta do tempo,no Dédalo das experiências de minha consciência Imortal,verifico as experiências passadas que me conduziram até o presente de Hoje,nas areias movediças do passado que sempre deixa suas marcas  e suas cicatrizes.Cicatrizes que só o mesmo tempo poderá apagar,que somente um novo futuro  fazer poderá mudar.Até os Deuses são filhos do Tempo,como Cronos é o Pai de todas as Civilizações.
Olhando a imagem portentosa de Civilizações que já passaram,que deixaram sua marca de Poder  e Miséria na História dos mundos,sempre renovadas pelo Mistério da Impermanência de tudo que existe.Mirei-se no fundo de minha consciência, como um espelho, e vi-me do Egito dos Faraós,diante da Pirâmide de Queops*,o santuário mais alto da iniciação Egípcia, onde ocorria a Alta IniciaçãoDe pé defronte ao ancião de  Barbas brancas e   pele queimada pelo Sol ,o Sumo- Sacerdote.Ocupávamos respectivamente o grau de Neófito e Mestre  ,sentados em cadeiras onde líamos os Astros* e praticávamos nossa ciência.Ao receber a pena de pavão* no teste no ritual final de iniciação,olhei para os olhos dos escravos numerosos em nosso serviço e pedi que pegasse a pena, que o vento,por deslize meu,levara ao chão.
Diante da mudez da serva, o Sacerdote respondeu:
-Ela não fala egípcio.Nenhum  escravo fala nossa língua ou então é mudo.
Indaguei o porquê.
-Eles não podem conhecer os “mistérios” e nem são dignos de levá-los consigo.
Com o passar do tempo, vi as cerimônias religiosas, onde escravos e ricos,nobres e servos levaram aos santuários dos Deuses,suas oferendas e seus pedidos de auxilio.Ricos Faraós faziam longas oblações esperando serem compensados em suas guerras e seus desmandos,transformando a Imagem dos Deuses que regem a criação em imagens -cópias deles mesmos.
Morri, vendo os desmandos dos poderosos e então renasci na Índia pensando em encontrar maior pureza na minha Vida.Sentei-me diante de Rishi* ,diante de quem fora admitido como Chela ou discípulo e ele me ensinou a ciência de nossa casta*,a leitura dos Upashidades*,os planos da consciência do Universo ,bem como os Siddis* ou poderes adquiridos pela longa prática da Yoga*.Caminhando depois de nossas meditações, encontrei com um pária* sentado na rua,abandonado e sem filhos corroído pela chaga da lepra a esvaziar sua vida com os olhos fitados no Vazio.Lembrei-me das proibições de casta* que não deixavam que nele tocasse e segui meu rumo guiado pelo Mestre rumo à novas divagações que iluminassem a minha Mente.Novamente a morte levou-me dessa terra e nasci na China na época de sua expansão na Ásia.
Floresciam na China todas as ciências do corpo e da alma destinadas principalmente a vida longa do Imperador e da nobreza e quando possível da população. Éramos os sábios das montanhas* que foram escolhidos para viver no Palácio para servir.Ensinamos nossas fórmulas aos Imperadores e seus filhos,umas escondidas,outras reais,para que pudessem ampliar sua vida e seu domínio.Vendíamos parte de nossa ciência para que nós mesmos pudéssemos gozar de certa posição perante ele e assim ocupar postos da administração em qualquer região da longa Muralha da China*.Por mim fomos descobertos e o Imperador em sua fúria,por haver dele escondidos segredos muito caros à nós, mandou-nos matar e expulsou o restante de sábios que foram morar nas florestas ,só mantendo aqueles indispensáveis à sua saúde ou para o conselho de Guerra.
Mais tarde na Europa que hoje não existe mais, renasci entre os celtas e como Sacerdotisa da Grande Deusa e do Grande Deus,invocamos as forças da natureza,dos elementos  e éramos peritos da arte da adivinhação cultivando em nós o lema do Bardo da Vida e da Morte* para celebrar os mistérios da Vida,sobre as pedras esculpidas nos ritos da Lua*.Quando chegou o Cristianismo em nossa região,vemos tombar nossos altares,nosso culto ser profanado e por  quase toda a nossa religião desaparecer para dar lugar a Cruz que mais tarde seria símbolo de decadência e dum ideal perdido na História.

Por fim cessou a apresentação das memórias no lastro da consciência e disse que então queria voltar.
Notei então, a presença dos Guias do Espaço,no ambiente estelar que estava,vestidos de luzes brilhantes e opalinas que lhe refletiam a grandeza da consciência.Vi que estávamos pertos dos planetas multicoloridos que sob os nossos pés,giravam numa velocidade incrível no espaço sideral,copiando a rota do átomo,a dança incessante de Shiva* ,o fluir incessante da criação das coisas e das pessoas e da sua destruição pelo Tempo que sempre destruirá todas as ilusões humanas.Luzes de ametista e de tom safira cruzavam o céu, combinadas com o sorriso e a beleza da Assembléia ali reunida.Lembrei-me do intento e confessei:
-Necessito voltar à Terra.
Responderam:
-E o que deseja então fazer lá?Não te basta tuas experiências?
-Falta-me algo com relação às pessoas .Preciso descobrir “algo” em mim e nelas.
Um deles se destacou, era uma Consciência(um Ser) Multimilenar, que fora amigo de outras passagens que tinha a forma de foco de lucidez e amor incessantes que jorrava de si e cuja assembleia parou para ouvir.Nesse instante notei que estávamos rodeados de estrelas ,das mais diferente cores e tamanhos,de luminosidade variada que jogavam suas luzes sobre  nós ,criando um efeito pirotécnico que impressionava pela sua graça e harmonia.Uma dessas estrelas chamou-me atenção pela cor dourada e por destacar-se das demais ao meu olhar.O “Ser” então “falou”:

-O Amor é a estrela que te falta para compor a tua Coroa *de Espírito Imortal.Na Obra de Co-Criação ele é o dom mais importante para entendermos o Universo que nos rodeia.O amor é atração entre os elementos da Natureza e a energia que mantém os Astros sustentados pela Luz do Sol que é símbolo do Amor que aquece os planeta em sua volta.O Amor é a tônica da Vida,aquilo capaz de sustentar os ideais no meio da fraqueza e de dar sentido à Vida quando falta-lhe as forças.Durante a existência humana,alguma coisas são importantes e outras não.Algumas permanecem e outras irão desaparecer tão logo como surgiram.Todas elas são temporárias.A consciência de teu Ser,sobrevi à Todas.

Então peguei a Estrela em minhas mãos e sua luz dimuiu em contato com o meu peito, como se por si soubesse das quedas e derrotas de meu Espírito.

-O Amor para aqueles que não entendem é o Perdão e o Silêncio. Para aqueles que o entendem é o Sentimento que o mantém juntos.O Amor  aos inimigos é a Paz na Consciência e o Amor aos desconhecidos é a Ajuda que os mantém na rota da  Vida.O amor à verdade é o Ideal que fez a Ciência,quando ama-se a Transcendência  materializaram as religiões em todos os cantos do planeta onde o Homem indagou pelo “sentido da Vida”.O amor ao pensamento é a Filosofia que procura a sabedoria e na Arte o Amor é busca pela Harmonia,pela Beleza e pela Perfeição.Todos os homens amam nem que pequeno seja o objeto de seu amor.Mesmo no despero e na “solidão” ama-se a Vida que tão digna de ser vivida,busca-se outra Vida que não aquela de negação.O amor a si mesmo chama-se Respeito e quando ama o próximo chama-se compaixão.



Perguntei ,quando uma lágrima caiu do meu olho,caindo sobre a Estrela dando-lhe uma nova força de intensidade na sua Luz.
-O que levarei da lembrança de minha missão?
-A lembrança da Consciência Cósmica,de quem és parte e que todas as Coisas que existem e que existirão são ligadas entre si e que o Universo é mais amplo que os sentidos vêem.
-Quantas dificuldades terei?
-Aquelas necessárias para superar a você mesmo e mostrar teu potencial oculto.
-O que ouvirei de meus Guias em momentos de Dificuldades?
-Paciência ,Cofiança e Amor.O mérito de tua vida é obra Tua e não nossa.
Então a Estrela deu sua última luz e todo o ambiente começou a escurecer.Primeiramente sumiram as lembranças do passado,como as Almas que bebido nas águas do  Lates grego*.Desapareceu as Estrelas,os planetas e cada um dos Espíritos Imortais da Reunião com um sorriso em suas faces.Sumiu o Guia e por fim um deles veio  até mim com sorriso em seu rosto ,beijou a testa e disse-me antes de desaparecer.
-Confiança!
E aqui estamos eu  e você tentando aprender as lições do Amor para enriquecer nossa Jornada até os portais celestiais que dão acesso à Consciência Cósmica,ao Santo dos Santos,ao Mistério dos Mistérios,a Face de Deus-Deusa,ao Infinito Presente.Lembremos do Amor antes do Conhecimento e lembremos do amor diante das lições da Vida.


Notas:
-Quéops:A principal pirâmide e na qual na Câmera do Rei era feito a consagração do Sumo Sacerdote num ritual secreto.
-Ler os Astros:Praticar Astrologia.
-Rishi:Sábio -intelectual da India Antiga.
Upanishades:Livros Sagrados do Hinduísmo com 5.000 mil anos.
Siddis:Poderes Paranormais.
-Pária:Alguém banido da sociedade.                     
Bardo:Conhecido como o Bardo celta,são canções-poemas que retratam a morte,o viver e  o nascer novamente.
-Shiva:A Face destruidora de Deus.É aquele que renova e põe fim a todas às ilusões de Maya(matéria)
-Coroa: De fato o chacra da coroa(Sahasrara) quando ativado e aberto é a coroação do Espírito.




sábado, 14 de janeiro de 2012

Dentro da Luz




Abandonando as máscaras da personalidade terrena por instante.

Vendo a Transitoriedade dos rótulos, as vaidades da aparência.

Percebendo o Fluxo da Vida que caminha na direção à sua completude mutante.

Vendo aquilo que ainda é,mas ainda não mostrou o que pode ser,porque todas as coisas são em realidade andarilhos errantes.

Abrindo-se para o tempo em  que verdadeiramente sou,sem as ilusões da carência,sem a insistência da Ausência.

Dentro da Luz estou,dentro da Luz eu sou.

Sou aquilo que me permito ser agora,aquilo que me permiti  até o momento ser,a Força Espiritual manifestada até o presente em cada momento.
Não importa o passado,porque tenho o presente repleto de possibilidades.
Não importa aquilo que já passou,as coisas velhas que foram,o futuro que ainda não é,embotado pela distorção de meus sentimentos.
Não importa o que os outros falam,nem o que penso a respeito dos outros.Encontrei dentro de  mim mesmo o real valor de minhas verdades.
 Não importa aquilo que as coisas são,porque tudo depende de tudo,tudo depende daquilo que não vi,tudo depende daquilo que os outros  viram e tudo depende  daquilo que eu percebi,então tudo é igual ao nada que não foi visto ainda.
Dentro da Luz é minha essência,fora do burburinho da inconsistência,fora da desordem da Insconsciencia,no âmago da Estrela-Essência Brilhante da Sapiência.

Não importa as ilusões da falsas crenças ,já que olhar para aquilo que já existe,das pessoas e das coisas  é despir-se da pretensão da crítica e do julgamento que a Verdade Maior aos poucos no Brinda.

A importância é daquilo que verdadeiramente existe,daquilo que até o momento não vi,porque dormia nas aparências confusas daquilo que ainda não é,porque na verdade nunca existiu ,nas brumas envoltas do suposto “ Mal”.

Sou um momento do Fiat Lux da Criação,sou o Brilho das Estrelas vertido da Poeira Cósmica Original,Sou o aquilo que na verdade é sua Personalidade Original,Sou a perpectiva de todas as coisas para ser contemplada.
Sou um instante que brilha,que passa,que refulge,que só é verdadeiramente visto com os olhos que vê a chama eterna de meu  Espírito Atemporal.
Eu sou a Luz da sua,da minha e da nossa  Consciência que espera para ser Revelada.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Homem e a Verdade Espiritual ou de sua Consciência

O nosso caminho até a verdade não pode ser imposto à ninguém,porque a verdade é fruto do amadurecimento pessoal no caminho evolutivo.



Refletia esses dias sobre qual é a nossa relação com às verdades profundas do Espírito e como nós nos iludimos quando pensamos que a verdade da consciência está na mão de líderes religiosos,políticos ou temporais e esquecemos de ver a “nossa” relação com a verdade.O caminho dessa reflexão mostrou-me nuances muito diferenciadas daquelas que nós aprendemos na sociedade contemporânea ,ao mesmo tempo, que refletia nas ilusões que constantemente criamos em nossos caminhos,que tornam-se sistemas de crenças ,mas que no entanto, são simplesmente sistemas de crenças alheias,modelos que nós criamos ,porém não refletem a totalidade do Real.Não estão inseridos nessa Dinâmica maior que eu vou chamar de “Realidade”.
Primeiramente, a verdade espiritual não se impõe a ninguém.Quem impõe ou necessita pregar uma verdade não conhece a mesma.
Tanto é que verdade é adaptável a realidade de visão de cada um e depende de sua posição frente ao Universo e do seu grau de amplitude,a sua pureza de percepção das coisas,das pessoas e dos fatos cotidianos. Cada qual criou os seus sistemas de crença,uns repletos de erros na comparação com o real,outros com menos erros.Mas é a vivência dos seus padrões de crença mesmo quando distorcidos que leva cada um ao seu encontro pessoal com “ verdade maior”.Não será a imposição de quem quer que seja,  quando arroga-se “dono da verdade”que trará luz a consciência.O tempo é o fixador da verdade e dispersor das Ilusões da Personalidade e de Crença.

O aprendizado da verdade nos rumos evolutivos demanda tempo para a sua compreensão.Como estamos em tempos evolutivos diferentes temos visões diferentes.

Isso não deve ser justificativa para não compreendemos a verdade dos outros.E por mais paradoxal que isso possa aparecer à primeira vista o  que ocorre justamente é o contrário.Quanto mais amplo é o seu Horizonte melhor e mais amplo é a sua compreensão(compreender é diferente de Julgar),mais você compreende aquilo que está ao seu lado e as diferentes perspectivas de caminho.

A verdade é fruto da compreensão amadurecida pelas experiências da vida,não só quando estamos dentro do Corpo Físico ,mas também quando estamos Fora dele por ocasião da morte.
Outro ponto importantíssimo que acabei percebendo é que a Verdade espiritual coloca-se para fora e além dos limites da Transitoriedade das coisas da Matéria.Isso significa que nós nos aproximamos da verdade quando olhamos de cima de uma perspectiva mais ampla.Não vou cair aqui na dicotomia Espírito e Matéria porque está dicotomia é Irreal.Na realidade a matéria é o caminho para o Espírito.São Pólos do Real e não coisas antagônicas.O espírito não está está na Contradição ,mas além dela.
Vou te dar um exemplo da perspectiva limitada no cotidiano.A doença é vista como uma grande mal que existe na vida de cada um ou as vezes na vida de um parente ou conhecido  próximo.Bem como os desafios que cada um enfrenta na sua luta diária.Mais isso é somente uma questão de perspectiva que não abarca a totalidade do Real,do sistema maior e muito menos considera o fator tempo.Essa é uma visão limitada.Nós vemos as coisas pela lógica limitada da mente coletiva.Você não enxerga ou não  vê a doença dentro do fator tempo,abarcando o presente e o futuro.Não enxerga como a  sua questão ou seu “problema” insere-se dentro de uma lógica do Grupo ou do Sistema de Pessoas no qual você está inserido.E você também não enxerga o Futuro as conseqüências de sua doença à largo Prazo.


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Todos eles são fatores desconsiderados por você.E quando queremos abarcar ou falar da Realidade do Espírito que é muita vezes distorcido pelas Religiões Organizadas a nossa  percepção é menor ainda.
Nós aproximamos da Verdade quando consideramos a Atemporalidade.Penetramos na verdade, quando vemos além de Rótulos humanos tradicionais(Homens ,Mulheres,Negros,Brancos,Ricos,Pobres) quando ultrapassamos as dicotomias tradicionais entre uma visão rígida entre aquilo que consideramos bem e o mal(porque essas visões são distorcidas pela cultura em que nós vivemos que nos diz como é ou como o mundo deveria ser)e quando nós elevamos no Tempo para as conseqüências de todas as coisas.Quanto mais a consciência tem a sabedoria da Verdade menos ela precisa entrar nas disputas temporais da "verdade”,porque justamente a verdade não é algo que se compra,se dá ou se vende.A verdade é uma percepção do Real ,fora dos Limites Ilusórios quando não distorcida pela mente coletiva.Por isso, eu digo que a Verdade é silenciosa,é  silenciosa porque não faz alaridos.Ela é tão calma quanto um lago que não agita pelas considerações alheias e não como o Mar em alta tempestade agitado por ventos de todos os lados.

A verdade não precisa de ninguém que a justifique.Ela nunca chamou defensores,porque ela sempre esteve lá para ser compreendida.

Se a verdade é a percepção do Real não embotada pelas falta de Consciência podemos entender  a  vida é uma lição para a  Verdade.Mas a n ossas vidas são lições para a verdade para quem se habituou a “ler” nas lições e dificuldades que vida te traz a percepção daquilo que é verdadeiramente real.Por isso a Verdade não é monopólio de nenhum grupo,mas depende unicamente de nós tirarmos nossos sistemas de crença distorcida para mergulharmos no Espírito.A meditação é a ponte para a Verdade quando ela desperta em nós a Intuição. Aquilo que se revela por meio do que chamo de “Intuição Pura “ é um outro processo à qual a maioria das pessoas,inclusive religiosas ou pertences à um grupo,seita ou Igreja não tem.Por que a verdade está em nós e não lá fora.Aquilo que aqui chamo de Intuição não é dizer ou sentir simplesmente que algo virá a acontecer.É além disso.A intuição pura apreende o significado da Vida.

Cada um de nós traz em si as sementes da Verdade à qual a Vida demonstra. 

Abrir-se para as experiências da Vida além da perspectivas da Ciência,da Lógica e da Filosofia e da Religião é conhecer a Verdade que traz cada experiência.Por isso o Silêncio e a Meditação preparam o caminho para a percepção da Verdade do Espírito.E ela um dia surgirá na Consciência de cada um na medida que cada um não busca à verdade,mas se abre para ela,melhorando as relações humanas e trazendo à Paz que tantos dizem querer,mas no fundo não se elevam acima dos rótulos humanos aos quais aderem de maneira passiva..A Verdade Espiritual ,Transcendente e Real é Irmã da Paz,da Sabedoria( e não da Intectualidade necessariamente)e do Amor-Compreensão-Profunda,  que não está ligado a carências emotivas e as jogos passionais e neuróticos que vocês chamam de Amor.O espírito ou " Eu Profundo" detém a Verdade não- imposta,para além dos rótulos e Plenificadora e que não precisa de "donos",porque ela chegará no seu tempo a cada Um.